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Economistas veem limite fiscal para segurar preços dos combustíveis

Avaliação é de que nova rodada de subsídios ao diesel teria custo fiscal maior e menos espaço no orçamento

Economistas avaliam que o governo está perto do limite para continuar amortecendo os preços dos combustíveis com o ganho de arrecadação ligado ao petróleo. Neste domingo (4), a leitura apresentada por analistas é de que um novo choque no diesel teria efeito mais difícil de conter sem impacto nas contas públicas. A avaliação reúne riscos para inflação, fretes e atividade de transporte.

O estrategista-chefe da Monte Bravo, Rai Chicoli, afirma que o governo já usou o espaço disponível para sustentar a política de subsídios e que, em determinado momento, o custo para manter os preços pode superar a arrecadação extra associada à alta do petróleo. Segundo ele, uma nova rodada de subsídios provavelmente teria custo fiscal.

A economista-chefe da Mirae Asset no Brasil, Marianna Costa, diz que o diesel acima de US$ 6,50 por galão e a gasolina acima de US$ 4,50 reforçam a pressão política para uma reação do governo dos Estados Unidos, embora o formato dessa resposta ainda seja incerto.

Na avaliação de Costa, eventuais restrições ao diesel dos Estados Unidos teriam impacto relevante para o Brasil, já que parte importante do consumo interno vem do mercado norte-americano, especialmente após o bloqueio da Rússia. Segundo ela, o repasse da alta do diesel atingiria principalmente fretes e bens industriais.

Costa acrescenta que uma nova rodada de subsídios aos combustíveis exigiria crédito extraordinário ou mais contingenciamento. Pelas regras do arcabouço fiscal e com orçamento pressionado, a extensão ou ampliação desse tipo de medida dependeria de remanejamento de verbas ou aumento do déficit público.

O economista-chefe da EQI Investimentos, Stephan Kautz, também avalia que um embargo dos Estados Unidos às exportações elevaria o preço global do diesel e aumentaria a pressão inflacionária no Brasil. Segundo ele, a inflação deve reacelerar nos próximos meses, em meio aos combustíveis, aos efeitos do El Niño e à reversão de fatores temporários que ajudaram o índice no meio do ano.

Para Chicoli, se o governo não conseguir amortecer a alta do diesel, o ajuste pode ocorrer pela demanda, com redução da atividade no transporte. Na avaliação dos economistas, o espaço fiscal para novas intervenções nos combustíveis está mais estreito.

Fonte: Estadão Conteúdo