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Etanol de MT deve chegar a 8,4 bilhões de litros na safra 2026/27

Produção de cana deve crescer 5,5%, mas milho consolida protagonismo do Estado no mercado de biocombustíveis; oferta de etanol de milho é projetada em 7,2 bilhões de litros

Mato Grosso deverá ampliar simultaneamente a produção de cana-de-açúcar e de etanol na safra 2026/27, mas é o milho que coloca o Estado em posição de destaque no mercado brasileiro de biocombustíveis. Somadas as duas matérias-primas, a produção estadual de etanol poderá alcançar 8,40 bilhões de litros, crescimento de 13,7% em relação à temporada anterior.

As projeções fazem parte do segundo levantamento da safra de cana-de-açúcar 2026/27, divulgado pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab).

A produção mato-grossense de cana está estimada em 19,50 milhões de toneladas, alta de 5,5% sobre as 18,48 milhões de toneladas do ciclo anterior. Caso a projeção seja confirmada, o crescimento estadual ficará acima dos 4,7% esperados para a produção brasileira.

Com esse volume, Mato Grosso ocupa a sexta posição entre os maiores produtores de cana do país, atrás de São Paulo, Minas Gerais, Paraná, Goiás e Mato Grosso do Sul.

A expansão da matéria-prima, entretanto, não deverá resultar em aumento da fabricação de açúcar. A Conab projeta 564,9 mil toneladas, redução de 13,5%.

Para o etanol produzido a partir da cana, a direção é inversa. A produção estadual deverá crescer 2,5% e superar 1,20 bilhão de litros, dos quais aproximadamente 430 milhões serão de etanol anidro e 774 milhões de hidratado.

MILHO GANHA PROTAGONISMO - É na transformação do milho em combustível, porém, que Mato Grosso amplia sua liderança nacional.

A produção estadual de etanol de milho está projetada em 7,20 bilhões de litros, contra 6,24 bilhões na temporada anterior. O avanço esperado é de 15,2%, representando a adição de quase 1 bilhão de litros em apenas uma safra.

O volume coloca Mato Grosso como principal produtor brasileiro do biocombustível. O Estado responde por quase 60% de todo o etanol de milho produzido no país. A produção nacional deverá ficar próxima de 11,9 bilhões de litros nesta temporada.

Somando os volumes provenientes da cana e do milho, Mato Grosso deverá produzir 8,40 bilhões de litros de etanol, 13,7% acima da safra anterior.

Os números evidenciam uma mudança importante na estrutura sucroenergética estadual. Embora a cana continue relevante, o milho já responde pela maior parcela da produção de etanol de Mato Grosso.

BRASIL TERÁ MAIS CANA - No país, a produção de cana-de-açúcar está estimada em 705,2 milhões de toneladas, crescimento de 4,7%.

A expansão deverá ocorrer tanto pela ampliação da área quanto pela melhora da produtividade. A área destinada à colheita deverá crescer 1,1%, chegando a 9,1 milhões de hectares, enquanto a produtividade média é projetada em 77.905 quilos por hectare, aumento de 3,6%. Segundo a Conab, as condições climáticas têm favorecido as lavouras desde o início do ciclo.

O Centro-Oeste, segunda maior região produtora, deverá colher 157 milhões de toneladas, avanço de 4,6%. A área deve alcançar 2 milhões de hectares e a produtividade média, 78.755 quilos por hectare.

ETANOL AVANÇA, AÇÚCAR RECUA - A mudança na destinação da matéria-prima também aparece nos números nacionais.

A produção brasileira de açúcar deverá cair 2,9%, para 42,89 milhões de toneladas. Em sentido contrário, o etanol de cana poderá crescer 9,7%, alcançando 29,98 bilhões de litros.

O etanol de milho deverá avançar ainda mais: 17%, chegando a 11,91 bilhões de litros. Com isso, a produção brasileira total de etanol é estimada em 41,88 bilhões de litros, crescimento de 11,7%.

DEMANDA GANHA REFORÇO - O cenário de mercado também pode favorecer a expansão dos biocombustíveis.

Segundo o levantamento, a demanda doméstica por etanol, especialmente o anidro, tende a receber impulso do aumento da mistura obrigatória do combustível à gasolina, que passou de 30% para 32% no fim de julho.

A mudança pode ampliar o consumo de etanol e reforçar os incentivos para que uma parcela maior da matéria-prima seja destinada à produção do combustível.

No mercado de açúcar, as cotações internacionais apresentavam recuperação em agosto, influenciadas pela expectativa de restrição da oferta global, riscos climáticos nas principais regiões produtoras e possibilidade de redução da parcela de cana destinada à fabricação do produto.

Fonte: Marianna Peres - Diário de Cuiabá