Alta nas cotações internacionais do petróleo pode gerar pressão sobre os preços internos, já que parte do abastecimento brasileiro depende de importadores privados
A escalada de violência no Oriente Médio poderá impactar nos preços dos combustíveis em Mato Grosso. O alerta é do Sindipetróleo – Sindicato do Comércio Varejista de Derivados de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis de Mato Grosso, devido aos ataques recentes entre Estados Unidos, Israel e Irã, que levou ao fechamento de navegação no Estreito de Ormuz, um importante corredor marítimo de exportação de petróleo.
Sem a possibilidade de que navios petroleiros escoem a produção de petróleo daquela região, há risco de elevação de preços dos combustíveis e outros serviços, em escala, em diversos países.
Em Mato Grosso, o Sindipetróleo informou que está acompanhando os recentes conflitos no Oriente Médio e seus possíveis impactos no preço dos combustíveis, em especial a gasolina. Ressaltou, no entanto, que a Petrobras ainda não anunciou nenhum tipo de reajuste em suas refinarias até o momento. Entretanto, o preço do barril de petróleo já começou a subir em todo o mundo com a possibilidade de escassez em sua produção e distribuição.
“A alta nas cotações internacionais do petróleo, como Brent e WTI, pode gerar pressão sobre os preços internos, mesmo sem reajuste imediato da estatal. Isso ocorre porque parte do abastecimento brasileiro depende de importadores privados, que compram derivados com base no mercado externo, considerando também câmbio e custos logísticos. À medida que novos carregamentos chegam ao país com valores mais elevados, essa diferença tende a ser gradualmente incorporada ao mercado”, informou o Sindipetróleo.
Com relação ao diesel, por ter maior dependência de importação, os efeitos podem vir de forma mais rápida. “Já a gasolina pode sofrer pressão indireta, com possíveis reflexos também sobre o etanol, tanto pela competitividade na bomba quanto pelo aumento de custos logísticos”, completou o sindicato do setor.
Reflexos globais
No domingo (01.03), oito países membros da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep+) anunciaram o aumento na produção de petróleo em 206 mil barris por dia, a partir de abril de 2026. A decisão sobre a oferta extra de petróleo ao mercado internacional ocorreu após a interrupção das exportações que passam pelo Estreito de Ormuz.
Os preços do petróleo subiram na sexta-feira (27) para US$ 73 por barril, devido aos temores de um conflito mais amplo no Oriente Médio. E na abertura dos mercados internacionais, na noite de domingo, o petróleo disparou cerca de 13% e superou US$ 82 por barril — o maior nível desde janeiro de 2025.
O Irã decidiu fechar a navegação no Estreito de Ormuz devido aos ataques sofridos no fim de semana. O bloqueio provoca a interrupção no abastecimento de petróleo em todo o mundo pois por aquela região, do Golfo Pérsico, passam mais de 20% do fornecimento global do combustível.
Fonte: PNB Online
