A desescalada das tensões na segunda quinzena de junho refletiu em queda no preço do petróleo. Na média mensal, o valor do brent recuou em 19,6% entre maio e junho. De acordo com a EIA (Administração de Informação Energética dos EUA), na média diária o brent chegou à mínima de US$ 70,16, no dia 26 de junho, o que indica um retorno, ainda que momentâneo, a patamares do período pré-guerra. A informação está na edição de julho do Boletim de Preços do Instituto de Estudos Estratégicos de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis Zé Eduardo Dutra (Ineep).
A publicação, divulgada nesta segunda-feira, mostra a trajetória mensal dos preços dos principais combustíveis no Brasil (gasolina C, diesel S10, GLP e etanol hidratado), com base nos dados publicados mensalmente pela Agência Nacional de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP).
“Durante os três meses e meio de conflito e da consequente alta dos preços internacionais do petróleo, o Brasil conseguiu amortecer parte do repasse desses aumentos aos preços dos combustíveis”, destaca o boletim. Esse resultado pode ser explicado por três fatores principais: o primeiro é a atual política de preços da Petrobras, que evita o repasse automático das oscilações das cotações internacionais ao mercado interno; o segundo foi a ampliação do processamento nas refinarias da Petrobras; e terceiro, as isenções e os subsídios fiscais concedidos pelo governo federal.
O preço do diesel foi o que registrou uma reação mais rápida, com redução na média nacional de R$ 0,10 por litro na bomba. Já a gasolina e o GLP tiveram pouca reação, mantendo seus preços estáveis. O etanol registrou uma nova queda, com uma queda acumulada de 11,6% entre março e junho.
“É possível perceber que os mecanismos de contenção protegeram o consumidor durante a alta do petróleo, mas a reversão desses instrumentos e a rigidez dos preços de revenda fazem com que a descida das cotações internacionais demore a se converter em queda na bomba”, ressalta o boletim.
O Ineep afirma que em um contexto em que as tensões geopolíticas permanecem elevadas e o acordo de cessar-fogo ainda se mostra instável, reforça-se a importância de políticas públicas voltadas ao fortalecimento da capacidade nacional de refino e à construção de uma estratégia de longo prazo que reduza a vulnerabilidade externa, assegurando maior estabilidade no abastecimento e nos preços dos combustíveis.
Fonte: Monitor Mercantil
