Pular para conteúdo principal
Ir para pagina inicial

Notícias

Por
em

Preço do etanol mantém queda em Cuiabá com avanço da safra de cana

Combustível recua na capital, mas cenário nacional ainda é de preços elevados, com impacto direto sobre inflação e custo de vida

Cuiabá voltou a registrar queda no preço do etanol nesta semana, ampliando um movimento de recuo que já havia sido identificado nos últimos dias. O combustível, que anteriormente era encontrado na faixa próxima de R$ 4,55 a R$ 4,59, passou a ser vendido entre R$ 4,45 e R$ 4,49, consolidando uma redução acumulada que começa a impactar diretamente o bolso do consumidor.

A nova queda, de cerca de R$ 0,10, reforça uma tendência de alívio gradual no mercado local, após um período de preços mais elevados. Na prática, o etanol volta a ganhar competitividade frente à gasolina, sobretudo em um momento em que o consumidor tem redobrado a atenção na hora de abastecer.

Esse movimento não é isolado. De acordo com levantamento recente do Instituto Brasileiro de Planejamento e Tributação (IBPT), o mercado de combustíveis entrou em uma fase de estabilização em abril, após um período de alta acelerada em março. No entanto, essa acomodação ocorre em patamares elevados, principalmente no caso do diesel, que continua sendo o principal fator de pressão inflacionária no país.

Nesse contexto, o etanol ganha protagonismo como uma espécie de “válvula de escape” para o consumidor. A queda nos preços está diretamente ligada ao avanço da safra e ao aumento da oferta, o que amplia a competitividade do biocombustível frente à gasolina. Em regiões do Centro-Sul, esse efeito tem sido mais evidente, permitindo um certo alívio no orçamento de motoristas.

Segundo o diretor do IBPT, Carlos Alberto Pinto Neto, o atual cenário ainda exige cautela por parte do setor.

“As distribuidoras estão operando em um cenário de 'gestão de danos'. A recomposição de margens observada no estudo não é ganho arbitrário, mas sim um movimento defensivo de preservação de estoque. Com o custo de reposição incerto, o mercado de distribuição precisa trabalhar com um colchão de segurança para garantir que não haja desabastecimento nas regiões mais distantes dos portos.”

Ou seja, apesar da queda pontual do etanol, o mercado segue sob tensão. A estabilização dos preços não significa, necessariamente, uma reversão do quadro inflacionário, mas sim uma reorganização interna diante de custos ainda elevados.

Para o presidente do IBPT, Gilberto Luiz do Amaral, o desempenho do etanol reforça a importância estratégica do biocombustível no Brasil.

“Em meio ao cenário de pressão do petróleo, o Etanol Hidratado provou ser o nosso maior ativo estratégico. A queda de mais de 6% no Sul e Sudeste, em pleno ciclo de alta das commodities fósseis, mostra que a transição energética e o incentivo à safra nacional são as únicas ferramentas reais para amortecer a inflação no bolso do transportador e do consumidor final.”

Apesar disso, o impacto positivo não é uniforme em todo o país. Regiões como Norte e Nordeste continuam mais expostas à volatilidade internacional, com menor capacidade de absorver oscilações por conta de limitações logísticas e maior dependência de combustíveis importados.

Em Cuiabá, porém, o cenário é mais favorável no curto prazo. A sequência de quedas no etanol pode influenciar diretamente a escolha do consumidor na bomba, sobretudo diante da relação de custo-benefício em comparação com a gasolina.

Ainda assim, especialistas alertam que o alívio pode ser temporário. Sem avanços estruturais em logística, refino e política energética, o mercado brasileiro de combustíveis tende a continuar sujeito a oscilações, com impactos diretos no custo de vida e na atividade econômica.

Fonte: Estadão Mato Grosso